terça-feira, 18 de agosto de 2009

Ilusionistas da Fé

Estamos acompanhando, em todos os jornais e meios de informação, as denúncias realizadas pelo Ministério Público e pelo COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras, órgão ligado ao Ministério da Fazenda) contra o fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo. O enriquecimento vertiginoso do Bispo e a compra do canal de rede televisiva Record envolvem bens e transações que alcançam valores inimagináveis.

As investigações apontam que o dinheiro usado nessas e noutras negociatas eram oriundos das doações dos fiéis, vítimas da fé.

Segundo a acusação, os que acreditam e seguem à risca os ensinamentos do Bispo Edir Macedo foram usados para financiar a ganância de um pequeno grupo que explora um dos sentimentos mais ancestrais do homem: o de crer no sobrenatural.

Acreditar na divindade ou em algo acima de nós é inerente à natureza humana. O que choca o espírito é saber o quanto e como essas pessoas tiveram coragem de manipular esse nobre sentimento.

É lamentável constatar que possam existir ilusionistas que se aproveitam da fragilidade humana e da boa fé para enriquecer e conquistar o reino dos homens, com todo o seu luxo, poder e riquezas.

Não se pode olvidar que todo o dinheiro arrecadado pelas agremiações religiosas, segundo as leis fiscais brasileiras, deve ser reinvestido nos próprios templos ou em obras de caridade e nunca para o enriquecimento de seus dirigentes.

O Poder Judiciário deve ser incisivo e justo para barrar e conter esses aproveitadores. E que a sociedade questione mais sobre algumas figuras públicas que manifestam tanta decência e hombridade, mas, que, todavia, não passam de grandes charlatões. Afinal de contas, como dizia Karl Marx, tudo o que era sólido se desmancha no ar e tudo o que era sagrado é profanado.

Tenhamos fé, mas sem esquecer a falibilidade do homem que, na verdade, deve responder por suas ações, sejam fraudulentas ou criminosas.

Não podemos calar diante da manipulação das notícias vinculadas pelo grupo de Edir Macedo e muito menos pela ilusão que ele engendrou nas almas dos fiéis de sua Igreja.

2 comentários:

Luís Olímpio Ferraz Melo disse...

Lia, muito bom e verdadeiro seu texto sobre a IURD. Santa ingenuidade de quem ainda acredita nessas figuras. Abraço,

Lia Pinheiro Alcoforado disse...

Obrigada Luis,
você como um grande crítico e observador da sociedade me alegra com seu comentário! Abraço,Lia.

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